quarta-feira, 30 de junho de 2010

"OS MAIORAIS/ OS AMADORES"


Devo admitir que nunca tinha ouvido falar no filme “Os amadores”, nem mesmo tinha conhecido o filme pelo seu título original “The moguls” ou "The amateurs", e nem sabia também que o filme teve o seu lançamento limitado e restrito praticamente no ano de 2007, sendo que a produção é de 2005 e enfrentou diversos problemas que tornou o filme ocioso por um bom tempo.

Quando um filme é arquivado por um bom tempo e enfrenta vários problemas na produção, nunca é um bom sinal, mas o elenco do filme me chamou a atenção, recheado de atores talentosos, encabeçados esse pelo atual vencedor do Oscar de melhor ator Jeff Bridges, William Fichtner, Joe Pantoliano, Ted Danson, Patrick Fugit, Jeanne Tripplehorn dentre outros rostos familiares que permeiam a história a do filme que tem sido quase sempre ignorado pela crítica e o público em geral, esquecendo-se que maravilhoso filme é, com inúmeras razões para se tornar um dos meus filmes favoritos.

Quando li a sinopse do filme, na hora me lembrei do sucesso de bilheteria e crítica “Zack and Miri make a porn” por aqui “Pagando bem que mal tem”, pensei comigo mesmo: pera aí, esse filme foi feito bem antes do filme pagando bem que mal tem, sendo que esse filme levou totalmente o crédito de ter sido um filme bem original , sendo que na verdade a história do filme, nada mais é do que quase uma cópia descarada do filme “Os amadores”, sendo que a primeira é infinitamente inferior a esse filme liderado por Jeff Bridges. Mas enfim , vamos a história.

Andy (Jeff Bridges) é um fracassado: não tem dinheiro nem trabalho e a sua ex-mulher casou com um homem rico que pode dar ao seu único filho tudo o que ele não pode. A única coisa que Andy tem neste momento é um grupo de grandes amigos, mas também fracassados, e um desejo louco de fazer qualquer coisa para mudar. A idéia brilhante surge através de uma página de jornal recheada de anúncios sexuais: fazer um filme pornô. Sem dinheiro nem experiência, a única forma é convencer a sua pequena e pacata cidade a participar no projeto. A equipe forma-se rapidamente: co-produtor, câmera, roteirista e diretor. O resultado é absolutamente inesperado...

Jeff Bridges já interpretou alguns personagens peculiares durante sua carreira longa e próspera. Talvez o seu desempenho mais querido é o de Jeffrey Lebowski no clássico "O grande Lebowski" dos irmãos Coen. Outro filme com uma grande interpretação do ator é o filme de 1984 "Starman", onde Bridges interpretou o personagem título iluminado e tem sido responsável por uma série de bons papéis dramáticos ao longo dos anos e alguns filmes de ação. Seu papel como o descontraído desempregado Andy Sargentee em "Os amadores" pede emprestado pesadamente de desempenhos passados e quase se poderia imaginar "The Dude" andando em um roupão de banho na substituição de Sargentee neste filme. Se uma coisa, "Os amadores" deixa claro é de que o talentoso e trabalhador Jeff Bridges é o ator perfeito quando se trata de interpretar vagabundos e homens de meia-idade sem um destino traçado na vida.

O título do filme vem do fato de que nenhum dos personagens tem alguma idéia de como fazer um filme pornográfico. O amigo apelidado de “algum idiota”(Joe Pantoliano) diz ter estudado para ser um escritor e diretor de cinema, mas suas idéias são muito "sem noção" para traduzir facilmente um filme pornô de baixo orçamento . Barney(Tim Blake Nelson) é o melhor amigo de Andy e quer ajudar de qualquer maneira puder, mas ele gasta o seu tempo negando seu amor pela garota local Helen (Glenne Headly), que nega saber que Barney ama e quer algo mais na vida.Moose” Alce(Ted Danson) é um homossexual que não é honesto consigo mesmo sobre sua própria sexualidade, mas todos os seus amigos percebem a verdade. Os irmãos Moe-Ron( Id e Ota) não são lá muito muito inteligentes, mas estão ansiosos para traçar em dupla qualquer atriz do filme. Otis( William Fichtner) só quer ver as cenas como elas são filmadas. O funcionário da locadora Emmett (Patrick Fugit) é chamado para ser o câmera-man e editor e talvez seja lá o único que pelo menos sabe alguma coisa de cinema.

O elenco é o ponto forte do filme , com todos os atores sem exceção alguma, muito afiados e entrosados entre si. Cada um sabe exatamente o que tem que fazer em cena e faz da melhor maneira possível, com destaque claro para Jeff Bridges e Joe Pantoliano.

A aventura que os personagens atravessam para encontrar o elenco para o filme pornô é impagável, com cenas que já podem ser consideradas clássicas, tudo sendo feito na maior espontâneadade e talento dos atores, outra coisa que percebe-se nitidamente no filme é que todos os atores se divertiram muito cada um em seus papéis.

Porque as comédias mais inteligentes não passam no cinema e saem direto em DVD? Será que as distribuidoras cinematográficas nivelam seu público por baixo? Enquanto vamos ao cinema aturar comédias besteiróis como “Os Espartalhões“, Os Maiorais é um filme altamente subestimado pela crítica e que precisa ser descoberto pelo público, com um grande elenco encabeçado por Jeff Bridges como um caipirão do interior dos EUA, cujo filho mora com a mãe e seu novo padrasto milionário. Desesperado para ganhar dinheiro, ele convence a cidade inteira a fazer um filme pornô, gerando muitas confusões.

Com uma hilária narração em off do protagonista, essa produção eleva em um nível perfeito este gênero tão maltratado que é a comédia.

NOTA 5 EXCELENTE

" ELA É DEMAIS PRA MIM"


À semelhança de muitas outras comédias românticas sobre adolescentes e os seus “complexos” romances, “She’s Out of My League” (Ela é demais pra mim), finalmente uma tradução correta de um título de filme aqui no país, não consegue apresentar uma narrativa minimamente interessante. A sua história superficial e inimaginativa é centrada em Kirk (Jay Baruchel), um rapaz simpático mas extremamente inseguro que se envolve romanticamente com Molly (Alice Eve), uma jovem muito atraente e que se encontra claramente acima do seu nível.

As diferenças entre Molly e Kirk são tão evidentes que ninguém à sua volta acredita que esta relação tem um futuro promissor, no entanto, Kirk está determinado em demonstrar o contrário e tentará convencer os seus amigos e os seus familiares que se encontra à altura da sua extraordinária namorada e que a sua relação tem um futuro .

A explicação e a exploração dos notórios contrastes psicológicos/intelectuais e físicos/superficiais entre os protagonistas e as consequências que esses contrastes têm na sua relação amorosa e nas suas interações sociais são claramente os maiores e os únicos enfoques narrativos deste “Ela é demais pra mim”, uma simples e extremamente previsível comédia romântica que não consegue apresentar uma vertente romântica convincente ou uma vertente cômica minimamente interessante.

A construção humorística de “Ela é demais pra mim” não é inovadora ou imaginativa, muito pelo contrário, é semelhante à da esmagadora maioria das comédias que se centram em romances entre adolescentes, assim sendo, somos constantemente confrontados com tiradas cômicas que caminham essencialmente sobre os estereótipos sexuais e superficiais da sociedade norte-americana, um humor previsível e repetitivo que no início até nos consegue arrancar alguns sorrisos mas que eventualmente nos cansa. O romance entre Molly e Kirk e as suas inúmeras problemáticas também são comuns e insípidas.

Os atores que interpretam as várias personagens também não convencem porque não conseguem oferecer performances minimamente cativantes e são os atores principais que são alvo das maiores críticas negativas, Jay Baruchel porque não conseguiu transmitir carisma ao seu trabalho e Alice Eve porque não conseguiu ultrapassar a excessiva sexualização da sua personagem. Em suma, “Ela é demais pra mim” é um trabalho cinematográfico medíocre que é essencialmente composto por uma história romântica sem emoção ou imaginação e uma vertente humorística visivelmente comum.

NOTA 2 REGULAR

terça-feira, 29 de junho de 2010

" BOBBY"


O ator Emilio Estevez assume a função de diretor e nos traz um filme que é uma mistura de erros e acertos. No decorrer do ano de 2006, Bobby foi perdendo força e deixou de ser uma das produções mais cotadas para o Oscar. Mesmo assim, o Globo de Ouro agraciou o filme com uma indicação na categoria de Melhor Filme – Drama. Porém, quando o anúncio dos concorrentes ao prêmio da Academia foi feito, a suspeita se confimou: Bobby fora totalmente ignorado. Não se pode acusar a Academia de Artes e Ciência Cinematográficas de Hollywood de ter sido injusta. Bobby se destaca em vários aspectos, mas o filme propriamente dito teve todo seu potencial desperdiçado pelo insatisfatório roteiro, escrito pelo próprio diretor.

O longa acompanha a trajetória de 22 personagens fictícios, no Ambassador Hotel, no dia em que o Senador Robert F. Kennedy sofreu um atentado. Para recriar o fatídico 5 de junho, em que Kennedy foi ao Hotel para fazer o discurso da vitória nas eleições preliminares da Califórnia e acabou sendo baleado, Emilio Estevez mistura realidade e ficção. Os personagens apresentam histórias criadas por Estevez, enquanto os acontecimentos ligados ao Senador são verídicos e contados por meio de cenas reais. O candidato à presidência não é interpretado por nenhum ator. Quando não foi possível mostrar Kennedy por meio de cenas reais, a opção foi colocar um ator sem mostrar seu rosto.

Bobby é um filme merecedor de destaques. A montagem de Richard Chew é cuidadosa e bem acabada, mostrando ao público as histórias de diversos personagens de maneira organizada, intercalando-as com cenas reais de noticiários televisivos e discursos de Kennedy à época das eleições. A produção conta, ainda, com uma bela trilha sonora, que acerta em cheio nas músicas executadas durante a projeção. Destaco, entre elas, a belíssima música ‘The Sound of Silence’. A direção de Estevez – anteriormente ele havia dirigido alguns seriados, entre eles, Cold Case - é cuidadosa, as tomadas são bem realizadas, mas faltou atenção na direção de atores.

Falando em atores, vamos a eles: Anthony Hopkins, Demi Moore, Elijah Wood, Helen Hunt, Laurence Fishburne, Lindsay Lohan, Martin Sheen, Sharon Stone, Ashton Kutcher, William H. Macy. Esses são alguns nomes do elenco estelar de Bobby, que saltam aos olhos de qualquer espectador. São artistas consagrados que, juntos, são capazes de encher diversas prateleiras com prêmios. Mas, aqui, ninguém brilha, contudo, ao menos, também não decepcionam. Entretanto, os astros estão desculpados. As histórias de seus personagens são tão vazias de conteúdo real, tão supérfulas e mal exploradas, que a culpa pela falta de brilho do elenco recai sobre o frágil roteiro. A tentativa de fazer um filme contado de maneria semelhante ao sensacional Magnólia, mas usando como pano de fundo um triste capítulo da história norte-americana, não deu certo. O filme só se assemelha ao de P. T. Anderson quando, embalada por uma música, a câmera viaja pelas dependências do hotel para mostrar uma espécie de primeiro desfecho das histórias pessoais de cada personagem antes que eles se reúnam para acompanhar, no próprio Ambassador, o discurso de Kennedy.

À época das eleições, no ano de 1968, os Estados Unidos passavam por um momento delicado. Cresciam o preconceito e a segregação racial, e a guerra do Vietnã mostrava-se uma furada. Kennedy conseguia satisfazer, em seus discursos, aos anseios de todos: brancos, negros, latinos, jovens, velhos. Nascia, junto com a cadidatura Kennedy, a esperança de um novo tempo, de um país melhor. Apesar de parecer possuir um ótimo caráter, o senador não teve chance de mostrar, como presidente, se, de fato, seria o político brilhante dos discursos. O filme de Estevez parece ser favorável demais ao candidato. Eu, como brasileiro, por já ter passado por uma situação em que um político prometia ser, no mínimo, correto eticamente e, no final, mostrou-se ser só mais um na multidão, não me comovi muito com o endeusamento da figura do senador.

Bobby é um filme para reacender o orgulho de ser norte-americano . Boa oportunidade de se aprender um pouco mais sobre o atentado contra Robert F. Kennedy, irmão do Kennedy morto três anos antes, em outro atentado. Como cinema propriamente dito, o filme não compensa muito, mas, devido aos acertos em diversos outros aspectos, torna-se interessante acompanhar Bobby, uma produção sobre a intolerância diante da tolerância.


NOTA 3 BOM

"LEAP YEAR"


Leap year leia-se ano bissexto, é tão previsível quanto a chegada a cada quatro anos do dia 29 de fevereiro, que usa e abusa da fórmula mais do que utilizada no gênero comédia romântica. Quem teve a possibilidade de ver o trailer do filme, já viu praticamente tudo que o filme vai mostrar de forma resumida, mas com certeza está tudo lá, claro que ao longo do filme, o espectador menos rigoroso, principalmente o público feminino, irá se deliciar com um romance leve com algumas situações que podem gerar alguns tímidos sorrisos da platéia.

Em “Leap Year”, Anna (Amy Adams) após quatro anos de namoro, espera ansiosamente o pedido de casamento, mas ele não acontece e ela mesma decide pedir a mão de seu namorado, seguindo uma tradição irlandesa que diz que no dia 29 de fevereiro em anos bissextos, o papel pode se inverter, com isso a mulher pode pedir a mão do homem em casamento sem se envergonhar disso. Mas a viagem até Dublin reserva muitas surpresas. O tempo arruína sua viagem e ela precisa da ajuda de um grosseiro dono de hospedaria( Matthew Goode) para iniciar uma inesperada travessia no país e fazer o pedido perfeito.

A viagem para a Irlanda é bem-vinda, principalmente pela troca de cenário da fria Nova Iorque para a colorida e orgânica paisagem da Irlanda, sendo um dos pontos positivos do filme para contar a história de peixe fora d’água que precisa ir conhecendo os costumes do local a duras penas para conseguir o seu objetivo.

Amy Adams é conhecida pelo seu charme natural e carinha de boa moça, exatamente como foi flagrado no sucesso “A Encantada”, a sua reação inicial ao novo mundo que lhe é apresentado de início até funciona legal, mas ao decorrer do filme acaba se desgatando um pouco, principalmente pelas piadas que acabam se repetindo numa tentativa de tornar o filme engraçadinho demais.

Leap Year não seria uma comédia romântica convencional sem a donzela em perigo que encontra um homem que é totalmente o seu oposto em valores e costumes, mas que na realidade acaba sendo a única pessoa que ela pode confiar e ser ajudada, e que no final acabam vendo que apesar de tudo e todas as oposições se encontram perdidamente apaixonados um pelo outro.

Matthew Goode até que que tenta ser efetivo no filme, com um sotaque irlandês com uma precisão impecável, interpretando o barman irlandês Declan, mas o personagem não lhe deixa evoluir mais, devido ao fraco e preguiçoso roteiro e as armadilhas do gênero.

Os interessados na história já sabem o que vão ver, não será surpresa nenhuma principalmente pra quem já viu o trailer,e acredite, a incerteza foi deixada bem longe da lista de convidados desse filme, mas pra quem ta em busca de um romance leve, descompromissado e não se irritar muito em saber o que exatamente vai acontecer na cena seguinte, Leap Year é o seu filme. O filme agradará a grande maioria das mulheres deixando elas com um sorrisinho de satisfação ao final da projeção. Leap Year está longe de ser uma das melhores comédias românticas, mas também não chega a ser um filme desagradável, é simpático e afável suficiente para deixar a maioria das pessoas com uma boa sensação ao final do filme

NOTA 2 REGULAR

sexta-feira, 25 de junho de 2010

"TERRA FRIA"


Com um começo calmo e sem muitas explicações do que de fato está acontecendo, você acaba nem vendo quando se envolve de vez com o filme. Ele tem uma condução perfeita e envolve quem o assiste do começo ao fim. Terra Fria merece o título de excelente filme.

“Terra Fria” gira em torno do tema preconceito contra as mulheres. No começo, somos apresentados ao filme de forma calma, sem saber que o desenrolar está por vir. Nele, Josie Aimes (Charlize Theron, vencedora do Oscar de Melhor Atriz por "Monster"), tem uma vida a par da que estamos acostumados a ver por aí. Nenhuma santa, isso é verdade, mas que passou por muitas coisas as quais poucas pessoas sabem o quanto deve ser ruim. Só de se imaginar passando pelo que ela passa, já temos um motivo para ficarmos atados a projeção. Josie é uma mulher determinada, que não aceita mais ser sustentada por um marido que a espanca e resolve ir para a casa dos pais. Por uma amiga, fica sabendo que a mina da cidade está contratando mulheres. Como a procura é pouca, pois é um dito trabalhão masculino, a aceitação no emprego se torna fácil. Além do mais, o salário é o suficiente para sustentar seus dois filhos e ainda ter uma diversão. Porém, para chegar ao fim do mês e receber o que tem direito, a protagonista tem que passar por muito mais do que horas de trabalho, afinal, Josie por não aceitar o errado, acaba sendo veementemente caçada pelos companheiros de trabalho, os quais de forma alguma aceitam uma mulher fazendo o mesmo que eles e ganhando tão quanto. Inclusive seu pai, Hank (Richard Jenkins).

A condução do filme é uma coisa maravilhosa. A trilha sonora, as atuações e o cenário, tudo ajuda na criação de um clima que envolve o espectador quando ele menos espera. Você começa a assistir e, quando percebe, já se passaram 123 minutos de projeção. A mão perfeita da direção de Niki Caro é latente. O filme demonstra uma linearidade que leva para o público um sentimento de estar dentro do que acontece e facilmente cria nele a expectativa de querer saber o que estar por vir sem querer ficar adivinhando, mas aceitando o que o filme vai mostrando aos poucos e sempre na hora certa.

A temporalidade da trama também é perfeita. Inicialmente, a história é um flashback e sabemos disso pelas poucas vezes que a narradora é mostrada – no caso, Josie que está em um julgamento por ter processado a empresa na qual trabalhou -, contudo, repentinamente o flashback se mistura com o atual e o filme toma o rumo final da forma mais envolvente possível. O atual é mostrado e, como todos nós já vimos a história de vida da protagonista, nos tornamos aliados em seu caso que está sendo julgado. É uma sensação maravilhosa, que poucos filmes fazem e, quando tentam, erram feio, deixando o final totalmente premeditado.

Com uma atuação primando a perfeição, Charlize Theron, encanta os olhos mais ávidos. Lógico, nem tudo é maravilha, mas o olhar, a forma de falar de se apresentar, cativam por demais. Tudo bem que, a condução do filme ajuda a gostarmos da personagem, entretanto não é nada fácil fazer o que a grande atriz fez. De fato, o elenco é um primor a parte. Nele desfilam ótimas interpretações de Sean Bean, que gradativamente nos faz esquecer que foi o Boromir de “O Senhor dos Anéis” por conta das simples, mas eficientes interpretações; Frances McDormand, de “Quase Famosos”, que com a personagem Glory é explorada da forma certa e atinge a meta quando é necessitada uma ótima presença de cena; Richard Jenkins , quando requisitado para coisas mais difíceis, faz bonito; e, dentre os mais analisáveis, os dois garotos que fazem os filhos da protagonista, além das ótimas atuações de Jeremy Renner e Woody Harrelson.

Como todo bom filme, a trilha sonora não pode passar em branco. À medida que o filme vai se desenrolando ela vai ficando mais tensa ou melosa e reflete o que a cena está nos passando. Sem falar que tudo isso é feito com músicas muito boas recheada de canções de Bob Dylan.

Dentre tantas coisas que o filme aborda, como a luta de classes, o fato de querer fazer o que aparentemente não parece estar ao alcance, o principal é o preconceito contra as mulheres e ele é demonstrado de várias formas. Eu fiquei com raiva diante de certas coisas a que fui submetido a ver, pois nenhum ser humano merece ser julgado pelo sexo, cor, conta bancária e etc. De certo, nós somos todos iguais, até mesmo os crápulas machistas que perdem tempo infernizando a vida das mulheres, vai que um dia eles se tocam e começam a agir de uma maneira mais correta.

Finalmente, todos sabemos bem, até o mais alienado, o quanto ser diferente causa preconceito, mas convenhamos que ser mulher, não é ser diferente. Quem disse que o homem é melhor? Quem disse que o homem tem sempre que ser o melhor? O filme deixa bem claro que o machismo é podre e somos inervados pelas atrocidades as quais passa a protagonista. Quem for machista, por favor, repense seus princípios de vida, pois de animais inescrupulosos o mundo já está transbordando e, sinceramente, nem o mundo nem ninguém precisam desse tipinho.

NOTA 5 EXCELENTE

quinta-feira, 24 de junho de 2010

"WIMBLEDON O JOGO DO AMOR"


Está virando rotina. Há muito tempo podemos observar duas vertentes comuns que dois mercados distintos estão seguindo durante os últimos cinco ou seis anos quando o assunto é o gênero “comédia”. Essas vertentes, mais especificamente, são as comédias norte-americanas (que vêm se “especializando” em comédias voltadas ao público adolescente ou teen, popularmente chamadas de pastelonas, vide “Todo Mundo em Pânico” e produções similares) e as européias (principalmente as inglesas; nessa vertente observamos constantes aparições das chamadas comédias românticas, algumas mais leves e singelas que outras, como é o caso de Wimbledon o Jogo do amor, e outras mais exageradamente românticas).

Generalizações à parte, não estou procurando rotular nenhum dos dois mercados em particular, mas vem sendo notável o salto de qualidade que algumas comédias tipicamente britânicas vem apresentando com certa regularidade. Enquanto comédias interessantes e inteligentes como “Melhor é impossível” vêm tornando-se cada vez mais escassas nos EUA, do outro lado do oceano vemos produções que sabem dosar cada vez mais o teor cômico com o romântico sem esquecer outros importantes aspectos técnicos do filme, como a fotografia e a montagem; ainda em estágio de aperfeiçoamento, é verdade, mas vem sendo notável a melhora de uns tempos pra cá...

Montagem e fotografia! Já que tocamos no assunto, por que não começar a citar os pontos positivos de “Wimbledon – Jogo do amor”. Sem sombra de dúvida a primeira impressão que temos ao sermos apresentados ao cenário da história é a melhor possível. A direção de arte é muito bela, diga-se de passagem, para um filme do gênero. As tomadas de Londres são simplesmente fantásticas, mas nada se compara às lindas seqüências nas quadras de tênis, principalmente quando o diretor tenta mostrar a angústia e o desespero momentâneo pelo qual personagem principal passa.

Outra boa surpresa a que somos apresentados é a química entre Paul Bettany e Kirsten Dunst. Os dois fazem um bom trabalho juntos e contam com uma ajuda que todo par romântico deveria ter, bons coadjuvantes. Apesar do final do filme ser bastante previsível, a forma como a história é estruturada e a utilização de bons coadjuvantes torna o roteiro extremamente divertido. Elementos como o irmão de Peter e seus pais, o pai da bela tenista (interpretado por Sam Neil) e alguns outros mais tornam a comédia um pouco mais engraçada.

A história gira em torno de Lizzie Bradburry (Kirsten Dunst), uma tenista no auge da carreira extremamente orientada a vencer todos os campeonatos que participa, tendo como principal técnico e apoio seu sempre presente pai e Peter Colt (Paul Bettany), um tenista em fim de carreira que sequer conseguiu qualificação para disputar Wimbledon, foi convidado. Os dois se conhecem logo no início do torneio e a partir daí temos o deslanche do romance de ambos.

O filme apresenta uma pequena queda de ritmo na parte em que o casal principal se desentende. Mas isso é contornado por um final bastante agradável ainda que previsível. Além de contar com uma boa montagem e excelente fotografia, como previamente citado, Wimbledon ainda possui elementos bastante ricos e comuns a comédias românticas como uma boa trilha sonora, nada muito rico em detalhes, mas agrada.

Wimbledon é com certeza um bom filme para se assistir com uma ótima companhia. Com certeza ao ver algumas seqüências dentro da quadra de tennis de Wimbledon você pensará consigo mesmo “uau, não pensei que fosse tão bonito assim”. Talvez até nem seja, infelizmente nunca pude estar lá para comprovar. Méritos do diretor que conseguiu criar um cenário vivo e intenso para adaptar sua história.

NOTA 3 BOM

"PERSEGUINDO UM SONHO"


Perseguindo um Sonho é o novo filme de Ryan Fleck e Anna Boden, roteiristas do elogiado Half Nelson, que aqui também dividem os créditos na direção. Contando a história fictícia de Miguel “Sugar” Santos, um jovem de 20 anos da Republica Dominicana que dedica sua vida a jogar baseball. Depois de ser chamado para um treino nos Estados Unidos, ele acaba sendo convocado para o time da primeira divisão. Mas Sugar começa a sentir a pressão, não apenas da responsabilidade que ganhou em tão pouco tempo, mas também pela sua dificuldade de aprender o idioma e por seus amigos estarem sendo mandados embora.

Para começar, considero esse filme muito superestimado pela crítica norte-americana, que foi extremamente elogiado e sendo inclusive apontado com um dos melhores filmes de esporte já realizado.

O maior problema de Perseguindo um sonho é que ele não consegue fazer com que o público realmente fique interessado na história do jovem dominicano que tem como única saída para sair da pobreza do seu país, a carreira como atleta de Baseball , um esporte muito popular por lá que aqui no Brasil quase não tem espaço ou até mesmo nenhum.

Esse é o outro grande problema da produção não ter sucesso aqui no Brasil, o esporte Baseball não tem nenhuma popularidade por aqui, com a maioria das pessoas, inclusive eu, não conhecer absolutamente nada das regras do esporte, apesar de que o verdadeiro contexto do filme não é contar a história do esporte e sim contar a grande realidade da maioria desses jovens de Porto Rico , República dominicana e até mesmo de Cuba, que vão tentar a sorte no esporte nos Eua, com a promessa e sonho de ser tornarem famosos e bem sucedidos.

Além da falta de empatia com a história do filme, o que mais me fez não gostar tanto desse filme foi o fato de faltar momentos que a emoção esteja presente, fatos que iriam fazer nos aproximar da história do personagem principal.

A história do jovem tentando encontrar seu destino, criado a vida inteira por seu pai e sua mãe para jogar baseball e que teve que sacrificar seus estudos e até mesmo o contato com sua família para se dedicar ao esporte, e se de início, é tocante que o jovem se mostre realmente dedicado ao esporte, logo começa a questionar suas escolhas (mesmo que jamais culpe seus pais), logo demonstra uma triste falta de maturidade (que é mostrada na maneira como ele abraça o senhor que o hospeda, por exemplo) que será fundamental não apenas para o filme finalmente revelar seu objetivo, mas também mostrar que o filme tinha o potencial para ser algo muito melhor e mais ousado.

E ao exibir no desfecho, vários jogadores latino-americanos que acabaram no mesmo dilema do protagonista, Perseguindo um Sonho se revela uma obra ambiciosa, que não acerta o ritmo desde o seu início, mas fica o gosto amargo que poderia ser algo bem melhor devido ao seu material.

NOTA 2 REGULAR